Victor Shimada sob sanções dos EUA e investigação do FBI

Victor Shimada, empresário sancionado pelos EUA, expressa desespero ao perceber que o FBI investiga sua conexão com fraudes financeiras.

Victor Shimada diz estar ‘desesperado’ com investigação do FBI

Gravações obtidas pela Polícia Federal mostram Victor Shimada afirmando que o caso ‘vai dar FBI’ dias após a fraude milionária contra o Banco Votorantim. Na quarta-feira (1º), ele foi alvo de sanções dos EUA por suposta atuação em uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças E Tecnologia Ltda, foi sancionado pelo governo dos EUA em 1º de julho de 2026. Áudios extraídos pela Polícia Federal do celular do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada indicam que ele acreditava que a investigação sobre a fraude milionária contra o Banco Votorantim poderia envolver o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. A investigação da Polícia Federal apura uma fraude de mais de R$ 35 milhões contra o Banco Votorantim, ocorrida em agosto de 2024. De acordo com a PF, parte do montante foi convertido em criptomoedas e passou pela empresa Victory Trading, associada ao empresário.

A gravação, realizada em 20 de agosto de 2024, apenas oito dias após o desvio milionário do banco, mostra Shimada conversando com um interlocutor e afirmando que as autoridades já estavam rastreando operações em criptomoedas realizadas através de carteiras digitais e que a apuração ultrapassava as fronteiras brasileiras. “É, mano. Esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado”, diz Victor em um dos trechos do áudio.

Entenda as supostas conexões de empresário alvo dos EUA com Buzeira, Corinthians e PCC. O material integra um relatório da Polícia Federal, produzido a partir da perícia realizada nos equipamentos eletrônicos apreendidos na residência de Shimada, no contexto da investigação do Banco Votorantim. Em janeiro de 2025, o empresário cumpriu prisão domiciliar no Brasil neste processo. Além do caso bancário, Shimada também é réu em São Paulo como operador financeiro no escândalo de lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio entre a VaideBet, que investiga desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.

Na quarta-feira (1º), ele foi adicionado à lista de sanções do governo dos Estados Unidos por atuar como um “elo-chave” em uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Shimada é acusado de ter lavado mais de 30 milhões de dólares (equivalente a R$ 156 milhões) para a facção criminosa.

Na conversa, Victor menciona ter sido informado de que as autoridades já estavam cientes da operação e monitoravam o percurso dos recursos enviados ao exterior. Ele relata que foi avisado por um interlocutor identificado como Rafael, que as autoridades já conheciam a operação e estavam rastreando todas as wallets. “Os caras já tá sabendo de tudo, aí está rastreando todas as wallets. O que eu soltei pra fora, Colômbia, Estados Unidos, vai voltar tudo”, diz. Em seguida, ele relaciona o monitoramento ao uso da corretora mexicana de criptomoedas Bitso e às operações realizadas em dólares nos Estados Unidos. “A Bitso é mexicana. (…) Como eu faço pagamento nos Estados Unidos, troco de USDC [criptomoeda pareada ao dólar]. Irmão, o negócio é federal lá com os caras.” Segundo a PF, as conversas evidenciam que Shimada tinha conhecimento das operações com criptoativos e discutia bloqueios de valores, transferências internacionais e movimentações ligadas à fraude investigada.

A Bitso é uma corretora de criptomoedas fundada no México em 2014. A plataforma permite comprar, vender, guardar e transferir ativos digitais, como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), USDT (Tether) e USDC (USD Coin).

No desespero, o empresário expressa sua preocupação por as operações estarem diretamente ligadas ao seu nome, e não ao de “laranjas”. “E outra, foi no meu nome isso, mano. Por isso que eu tô desesperado”, afirmou. Na mesma conversa, gravada enquanto estava na Colômbia, ele menciona que deixou o Brasil para tentar resolver problemas relacionados às contas e ordens financeiras bloqueadas. “Eu já saí e deixei minha família, meus filhos lá. Porque eu falei, mano, eu não vou esperar. Eu vou me antecipar.” Victor também revela que planejava viajar ao México para tratar diretamente com representantes da Bitso e tentar desbloquear operações financeiras que haviam sido bloqueadas.

A corretora de criptomoedas atua em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil, onde opera através da empresa NVIO Brasil Bitso Instituição de Pagamento Ltda., informação mencionada no relatório da Polícia Federal. O relatório também inclui outro áudio, gravado em setembro de 2024, no qual Shimada conversa com uma funcionária da Bitso. Na ligação, a atendente informa que a conta permanecia bloqueada devido a uma investigação e que a empresa aguardava uma ordem judicial para decidir sobre um possível desbloqueio. Ela ainda orienta que Victor preservasse documentos e evidências, caso sua empresa, a Victory Trading, fosse intimada a prestar esclarecimentos às autoridades. Segundo a Polícia Federal, a análise dos celulares demonstra que Shimada operava regularmente com grandes quantias em criptomoedas, especialmente USDT, utilizando a plataforma da Bitso para essas transações financeiras.

O g1 e a TV Globo tentam contato com a defesa de Shimada.

O que diz a investigação? O relatório foi elaborado em janeiro de 2025, após a extração de dados dos aparelhos apreendidos durante buscas na residência de Victor Shimada. Segundo a PF, o objetivo era identificar diálogos e documentos que ajudassem a confirmar a fraude investigada e a identificar outros envolvidos. Nas conclusões, os investigadores afirmam que as conversas analisadas permitem inferir, “com alto grau de precisão”, que os áudios tratam da fraude contra o Banco Votorantim, embora ressaltem que as diligências não foram exaustivas.

Em nota, o BV (antigo Banco Votorantim) informou que, “em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares no âmbito de seus serviços de Banking as a Service (BaaS). O banco adotou imediatamente as medidas cabíveis, comunicando os fatos às autoridades competentes e colaborando ativamente com as investigações que culminaram com a condenação de um dos sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos conforme lista divulgada hoje. Vale destacar que, na colaboração com as autoridades competentes, o BV atuou como assistente de acusação na ação penal”.

Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

Compartilhe
Em Foco Hoje Redação
Em Foco Hoje Redação

Em Foco Hoje é um perfil editorial responsável pela produção e organização de conteúdos informativos sobre atualidades, tecnologia, economia, saúde e temas de interesse geral, sempre com foco em clareza, utilidade e atualização constante.