Mercedes ironiza volume de melhorias da Ferrari: “Devem ficar sem dinheiro logo”
A escuderia italiana apresentou um motor reformulado graças a um sistema de auxílio da F1 no GP da Áustria e conquistou a vitória em Barcelona, há três semanas.
Mariana Becker analisa o GP da Áustria, da Fórmula 1. Vice-líder do Mundial de construtores de 2026, a Ferrari não mede esforços para tentar alcançar a Mercedes: implementou 11 atualizações no GP de Miami, em maio; trouxe mais novidades em Barcelona, e até um motor novo para a Áustria no último domingo. O chefe da equipe alemã, Toto Wolff, alfinetou a rival pelos recursos que parecem não ter fim – mesmo com o teto de gastos da F1. Para mais notícias acesse…
Toto Wolff comentou sobre o GP da Áustria da F1 2026: “Ficamos um pouco surpresos com o fato de a Ferrari conseguir introduzir essas atualizações enormes da maneira como faz. Eles devem ficar sem dinheiro logo, dentro do teto de custos, porque nós não podemos fazer isso. Não temos margem no teto orçamentário para introduzir tantas peças como eles. Espero que isso mude no final da temporada, quando eles não puderem mais fazer atualizações. Pelo menos é o que a lógica diria. Aí, nós vamos apresentar mais novidades”.
Wolff ainda mencionou que a Mercedes, líder atual do Mundial, tem introduzido pequenas peças em seu carro como resposta à rival italiana, cujos avanços são mais visíveis. O primeiro pacote de atualizações da escuderia de Maranello, em Miami, incluiu reformulações na asa dianteira, defletores, suspensão dianteira, assoalho, bordas do piso, difusor, suspensão traseira, beam wing, carenagem traseira, asa traseira e endplates traseiros.
Lewis Hamilton foi visto nos braços dos mecânicos da Ferrari após vencer em Barcelona. Leclerc conseguiu um terceiro lugar na corrida sprint, mas no geral, os avanços só começaram a surtir efeito no Canadá, etapa seguinte. Lá, a equipe decidiu implementar melhorias no pacote já apresentado. Assim, Lewis Hamilton terminou em segundo lugar na prova, enquanto o piloto de Mônaco ficou na quarta posição. Hamilton voltou a subir ao pódio em Mônaco, repetindo sua classificação no Circuito Gilles Villeneuve. E, no GP de Barcelona-Catalunha, mais atualizações ao SF-26: uma asa dianteira revisada, um novo assoalho e sidepods remodelados para otimizar o ganho aerodinâmico. O resultado foi ainda mais positivo, com o heptacampeão conquistando a vitória.
A escuderia não parou por aí. No intervalo entre a prova espanhola e o GP da Áustria, a Ferrari desenvolveu as primeiras modificações em seu motor sob o sistema do ADUO (“Oportunidades adicionais de desenvolvimento e atualização”, em português), benefícios oferecidos para fabricantes de motores em déficit. Lewis Hamilton e Charles Leclerc participaram do GP da Áustria da F1 em 2026, mas, devido ao calor excessivo no Circuito de Spielberg, o desempenho de ambos foi afetado, resultando na perda da chance de brigar pelo pódio e ficando fora do top 3. Mesmo assim, o heptacampeão se manteve em terceiro lugar no campeonato de construtores, 46 pontos atrás do líder Kimi Antonelli, da Mercedes. A equipe alemã, por sua vez, possui 98 pontos de vantagem sobre a vice-líder, Ferrari, que continua sendo sua maior adversária até aqui.
Wolff ainda comentou: “Os únicos que não estão diminuindo o ritmo são a Ferrari. Dá para ver que tivemos uma grande atualização que introduzimos em Montreal, e pequenas peças entre uma etapa e outra. O mesmo vale para a Red Bull e a McLaren, só que a Ferrari parece não ter limites nesse aspecto. Além disso, eles já esperavam o ADUO e já vieram com um novo motor, então devem ter começado o desenvolvimento há seis meses. Espero que as regras sejam as mesmas para todos”.
Andrea Kimi Antonelli conquistou a quarta vitória da carreira no GP do Canadá da F1 em 2026. A Mercedes, por sua vez, escolheu o Canadá como palco de sua primeira atualização do carro de 2026: fez alterações na asa dianteira, conjuntos dos cantos dianteiro e traseiros e no assoalho. Contudo, a equipe ficou desfalcada devido ao abandono de George Russell por um problema no motor. Na rodada seguinte em Mônaco, a equipe fez ajustes em sua asa traseira, peça em que voltou a mexer para o GP de Barcelona. Na semana passada, a octacampeã mundial levou uma nova suspensão dianteira para a Áustria, onde venceu a prova com George Russell.
Atualmente, o teto de gastos na F1 gira em torno de 215 milhões de dólares (cerca de R$ 1,1 bilhão), valor que aumentou em relação aos 135 milhões do ano passado devido à introdução do novo regulamento técnico. Além disso, as montadoras de unidades de potência possuem um teto orçamentário separado, de 130 milhões de dólares (ou R$ 678,7 milhões) – e tanto a Ferrari quanto a Mercedes também são fabricantes de motores. Confira também outros conteúdos em…



